Wednesday, September 20, 2006

The Language of the Birds




Mantiq al-Tayr (The Language of the Birds), ca. 1600;
Safavid period (1501-1722)
Farid al-Din `Attar (ca. 1142-1220), Author;
Habib Allah, Painter
Attributed to Isfahan, Iran
Ink, colors, gold, and silver on paper; 10 x 4 1/2in. (25.4 x 11.4cm) of painting:
10 x 4 1/2in. (25.4 x 11.4cm)
Fletcher Fund, 1963 (63.210.11)
Metropolitan Museum of New York


"This painting from the manuscript illustrates the beginning of Attar's mystic allegory where the birds begin their pilgrimage in search of the Simurgh (representing ultimate spiritual unity). Under the leadership of the hoopoe (perched on a rock at center right), who exhorts them to be steadfast and unwavering in their joint quest, the birds ultimately learn that they are identical to the Simurgh (which means 'thirty birds'). This illustration depicts a scene from the mystical poem "Mantiq al-tair" (The Language of the Birds), composed by the twelfth-century Iranian Farid al-din `Attar. The birds symbolize individual souls in search of the Simurgh (a mystical bird representing ultimate spiritual unity) and are assembled here to begin their pilgrimage under the leadership of the hoopoe (perched on a rock at center right). The idyllic landscape in which the birds have congregated appears to be in harmony with the late-fifteenth-century Timurid miniatures in the manuscript, except for the presence of the hunter carrying a firearm, invented about 1600, who has no place in the narrative. The painter, Habib Allah, who signed a rock in the near foreground (now faint), became a court painter to Shah `Abbas in Mashhad and later followed him to Isfahan, where the Safavid capital moved from Qazvin in the late sixteenth century."


Tuesday, September 19, 2006

O papel da mulher na Gnose Islâmica

O rosto mais visível da Gnose Islâmica é, historicamente, o do sufismo (tasawwuf), muito embora outras formas de esoterismo como este coexistam, nomeadamente, o das gnoses xiitas/ismaelitas.

O sufismo pressupõe uma via iniciática, que se exprime na confraria (tariqa), a qual assegura a manutenção de uma cadeia ininterrupta (silsila) de transmissão autêntica de conhecimento sapiencial, mediante o qual é propiciado o efeito irradiante do influxo espiritual (baraka).

O gnóstico (aquele que sabe, ‘arîf), corporiza em grau supremo, os ideais muçulmanos de santidade (walâya), de cavalaria espiritual (futuwwah) e de sageza (hikma). Assim, ao gnóstico pertence a beatitude (sakîna) de quem vive na paz de Deus (Allâh), sendo-lhe permitido, por isso, frequentar o Seu limiar.

As diversas confrarias sufis, que remontam a sua origem ao Profeta Maomé (Muhammad), baseiam-se na iniciação e ensinamento ministrados por cada mestre (shaykh) aos seus aprendizes (murîdûn).

No debate, por vezes demasiadamente apaixonado e parcial, sobre o verdadeiro estatuto da mulher nas sociedades islâmicas, são frequentemente veiculados estereótipos acerca da sua menorização, em todos aspectos da vida colectiva, o que inclui atribuir-se-lhe o baixo grau de protagonismo que, supostamente, teria, mesmo em matéria de religião.

Cumpre dizer-se que esse não é o caso em todas as sociedades islâmicas, nem tal deriva da exegese profunda dos princípios corânicos, devendo-se os fenómenos de distinção de estatuto, em função do género, quando existem, a factores puramente culturais.

Pelo contrário, a pregação de Maomé introduziu uma verdadeira revolução, em plena Idade Média, no que toca à mulher, atribuindo-lhe direitos (herança, divórcio, etc.) que o Ocidente cristão levaria séculos a reconhecer-lhe.

Disse Maomé, com efeito, segundo uma Tradição autêntica (hadith), dirigindo-se aos homens: “tendes direitos sobre as vossas mulheres e as vossas mulheres têm direitos sobre vós”.

Dito isto, será interessante observar-se, ainda que de modo muito perfunctório, o papel histórico da mulher na Gnose Islâmica, não deixando de notar-se, em relação à prática maçónica, que esta, ainda hoje, levanta fortes objecções, na maior parte das obediências, à participação feminina no processo iniciático.

Aquilo que a História nos mostra é que, desde os tempos mais recuados do Sufismo, as mulheres estão presentes nas cadeias espirituais esotéricas do Islão, acedendo ao Mestrado e sendo, elas próprias, frequentemente, as impulsionadoras de novos círculos e vias da Gnose.

Um dos exemplos mais conhecidos é o da grande e célebre sufi Râbi‘a al-‘Adawiyyah (713-801 E.C.). Tendo sido feita escrava, em criança, os seus raptores vieram a libertá-la, posteriormente, dado o evidente grau de santidade que já emanava da sua pessoa. A sua via foi a do Amor Divino (mahaba) que ela explanou com magistral clareza nos seus aforismos místicos. Fundou o seu próprio círculo, de que foi Mestra, levando uma vida de recolhimento e ascese, rodeada dos discípulos.

A vida de Râbi‘a foi paradigmática, uma vez que serviu de exemplo a todas as gerações posteriores de sufis – homens e mulheres – nos séculos posteriores. Uma das suas máximas mais conhecidas é:

A tua própria existência é um pecado ao qual nenhum
outro se pode comparar.

Com esta controversa afirmação Râbi‘a pretendia chamar a atenção para a indigência ôntica do homem, uma vez que nada existe verdadeiramente fora de Deus. Assim, abandonar a ideia de valorizar o ego, como algo de absoluto, equivale a suprimir a origem e a possibilidade do erro (pecado).

Os ensinamentos de Râbi‘a servem, ainda hoje, de inspiração aos sufis do nosso tempo, incluindo aqueles que são também maçons.

Para concluir, vale a pena mencionar-se o testemunho de Ibn al-‘Arabî de Múrcia, o Mestre Máximo (shaykh al-akbarI) da Gnose Islâmica, e Selo da Santidade (khatm al-awalîa). Refere ele, de entre os sufis que o influenciaram, o nome das mestras sevilhanas Fátima bint al-Muthanna, Shams, conhecida por Mãe dos Pobres, a persa Nizam ou a mequense Zaynab al-Qaliyya.

Afinal, se a Gnose é só uma e jorra do princípio dos tempos, transversal a todas as religiões e civilizações, ela não distingue género, construindo uma Tríade ao pairar sobre a polaridade masculino/feminino.

Disse Annemarie Schimmel, uma grande adepta alemã do sufismo contemporâneo, no título de um dos seus livros magistrais:

Meine Seele Ist eine Frau (a minha alma é uma mulher).

aa

Friday, September 15, 2006

The Garden of Love




Wassily Kandinsky (Russian, 1866–1944)
The Garden of Love (Improvisation Number 27), 1912
Oil on canvas; 47 3/8 x 55 1/4 in. (120.3 x 140.3 cm)
Alfred Stieglitz Collection, 1949 (49.70.1)
Metropolitan Museum of New York

"The specific source for the imagery in "The Garden of Love" is most likely the biblical story of Paradise and the Garden of Eden, one of several Old and New Testament themes addressed by the artist. The imaginary landscape revolves around a large yellow sun in the center of the composition, which pulses with rays of red. The garden is occupied by three abstract pairs of embracing figures: a reclining couple above the sun, another at the lower right, and a third, smaller pair seated at the left. Surrounding them are several animals—certainly a snake and perhaps a grazing horse and a sleeping dog. Kandinsky, who was a master of watercolor, successfully achieved similar effects in his oil paintings. Here, large areas of bright, transparent color fill the space amorphously, their fluid motion fixed by various linear accents painted in black that represent the ground, a fence, and dark patches of rain. "


  • Metropolitan Museum of New York
  • Circulação da Palavra


    Será a circulação da palavra um mero ressoar de doces ou amargos sons? Ou um entretenimento de jogos linguísticos mais ou menos vazios? Será necessário pensar ou meditar para usar e fazer circular a palavra?

    Hoje falamos, por vezes, por falar. Alguns manifestam mesmo a compulsão por falar ininterruptamente. Somos avessos e intolerantes para com o silêncio. Mas é no silêncio que sentimos o nosso dedo mindinho tropeçar no ramo da acácia. É no silêncio que observamos a unidade da romã. É no nosso silêncio que conversamos com a multidão que em nós pernoita e isso nem sempre é agradável!

    Guardar silêncio por cinco anos era a exigência dos iniciados na escola Pitagórica. Mas porquê esta disciplina? Porquê o silêncio? Guardamos silêncio para evitar simples tagarelices ou gastos inúteis de palavras vãs, que pouco enriquecem ou enobrecem a atmosfera e o pensamento em Loja. Estar sobre a Acácia e conversar com o Mestre é beijar a linha imaginária que nos lembra: “cala-te ou diz alguma coisa que valha mais que o silêncio”.

    Na maçonaria exigimos aos aprendizes a abstenção de falar nas sessões. Como sabemos o aprendiz apenas soletra, por isso não sabe falar no mundo em que acaba de entrar. Mas abster-se de falar não significa proibição em falar. A livre expressão e livre pensamento sempre foram uma marca da nossa obediência, por isso o que o aprendiz não pode é falar sobre assuntos que não digam respeito ao seu grau, principio este válido para todos os irmãos. O silêncio não é uma exigência apenas para o aprendiz, mas uma disciplina observado por todos os maçons, nas sessões rituais ou fora delas. Manter silêncio é apenas uma porta para pensar, reflectir, ouvir a nossa própria consciência. Mas há momentos que a palavra não pode, nem deve ser evitada.

    A palavra, em maçonaria, não só expressa e comunica pensamentos e emoções, mas é um instrumento subtil de reconhecimento dos maçons entre si, da sua regularidade ou do seu grau. Nas sessões de loja a palavra preenche todos os tempos e ritmos de todas as colunas. Os maçons reúnem-se em loja para proferir palavras e realizar acções. Mas o uso e circulação da palavra em loja, por aparente contradição, é rigidamente controlada, só podendo ser usada em momentos estipulados no respectivo ritual.

    A circulação da palavra venera a cortesia, o apreço pelos irmãos interlocutores e vive-se na liberdade de opiniões e aceitação das diferenças. Não há discussão, nem diálogos no sentido profano dos termos. Não se contradita, afirma-se, expõe-se, confia-se na clareza, precisão e justeza dos argumentos para construir em nós e nos outros múltiplos caminhos que em liberdade e responsabilidade optamos percorrer.

    A palavra leva-nos na direcção invisível, desperta-nos! Por isso, a utilizamos de pé e à ordem e frente ao oriente! A noite dá-nos tempo para meditar e o dia luz para iluminar a palavra. A simbólica do usar da palavra de pé, frente ao oriente, indica ao Maçom que quando quer afirmar através da palavra, deve fazê-lo com compostura, meditação, zelo, contenção e a dignidade que o homem livre e de bons costumes coloca no acto de falar em loja e em todos os actos da vida.

    Não podemos usar e abusar da palavra, em sessão. Para cada assunto, não mais de três vezes nem mais de três minutos, aconselham os mestres! Falar pelos cotovelos não será pois um apanágio de maçom. Como jocosamente alguns irmãos vão lembrando, os cotovelos são uma arma perigosa que deve adormecer no mais profundo do ser Maçom.

    Como pedreiros, usamos luvas brancas nas mãos, mas é nosso dever usar luvas na linguagem, para aparar a rudeza do falar, evitando feridas ou ressentimentos capazes de minar a maior e melhor Harmonia de um grupo.

    A palavra circula nas sessões no sentido dos ponteiros do relógio. Saindo do Oriente, passa pelo Sul, Norte, volta novamente a Oriente, retornando às colunas sempre que tal se justifique.

    Em loja há quatro Oficiais que falam sentados, por razões litúrgicas, são eles as três Luzes e o Orador. Poderão igualmente falar sentados os irmãos que por direito próprio se sentam no oriente. Na circulação da palavra não toma parte o Venerável ou melhor não deve tomar, pois se o quiser fazer, deve deixar o altar e tomar o lugar do orador, tendo-se feito substituir pelo 1º vigilante. Lembremos que o Venerável simboliza o poder e ao tomar parte na circulação da palavra perde este capital simbólico assim como deixa de dirigir e direccionar os trabalhos e arrisca-se a tomar partido o que acabará por corroer a confiança e a unidade no comando da loja. O venerável deverá por isso estar acima de eventuais dissensões, falando sempre em último lugar, pois é a Autoridade da Loja, mas em matéria de legalidade maçónica a última palavra cabe ao Orador.

    A palavra é franqueada após a leitura do balaústre, cabendo aos vigilantes zelar para que os trabalhos sejam executados na perfeição e ao Orador verificar eventuais atropelos à ordem de trabalhos ou qualquer outras ilegalidades. Por isso qualquer proposta, requer a consulta do orador de modo a que este a aprecie, do ponto de vista de vista da lei maçónica e considere ou não importante a sua discussão em loja.

    Deixo, intencionalmente a dimensão regulamentar da circulação da palavra para o ritual, reafirmando que a principal finalidade da circulação da palavra é a busca da LUZ! E essa nem sempre se alcança quando aplicamos o adágio popular da «discussão nasce a luz». Na loja não se tenta convencer ninguém, expomos ideias e pensamentos com amor e tolerância. A palavra coabita então com o silêncio, deixando a cada irmão a construção de uma sabedoria do silêncio, como nos recorda Fernando Pessoa:

    - Não: não digas nada!
    Supor o que dirá
    A tua boca velada
    É ouvi-lo já.
    - É ouvi-lo melhor
    Do que o dirias.
    O que és não vem à flor
    Das frases dos dias.
    - És melhor do que tu.
    Não digas nada sê!
    Graça do corpo nu
    Que invisível vê.

    Não nos iludamos. Todos nós, em muitos momentos, somos pobres em pensamentos. Em qualquer templo a ausência de pensamento é hóspede sinistro que tem a liberdade de entrar e sair sem aviso, deixando marcas muitas vezes sem o mais leve sinal da sua passagem.

    O homem contemporâneo está em fuga do pensamento e essa é razão da sua ausência de pensamento. Mas o homem de hoje nega activamente esta ausência de pensamento. Estou seguro que todos os que me escutam estão prontos para afirmar o contrário... Dirão, vivemos na sociedade do conhecimento, onde investigação e ciência moldam o nosso dia. Mas esse pensamento será sempre indispensável, mas terá sempre um carácter especial, é um pensamento que calcula. Em Loja acontece pensamento, jorra de cada um de nós, quando o espírito está livre e o formalismo da circulação da palavra é a liturgia que o alimenta e desencadeia.

    A palavra semeia, sem saber que flor ou fruto dará. Mas a colheita é sempre uma nova criatura, um novo templo.
    jp

    Thursday, September 14, 2006

    Iluminious Garden




    Natasha Wescoat

    61 x 51 cm

    Tuesday, September 12, 2006

    Felicidade

    "Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.

    Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

    Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

    Fernando Pessoa

    Friday, March 10, 2006

    Com os Mortos

    Os que amei, onde estão? idos, dispersos,
    Arrastados no giro dos tufões,
    Levados, como em sonho, entre visões,
    Na fuga, no ruir dos universos...

    E eu mesmo, com os pés imersos
    Na corrente e à mercê dos turbilhões,
    Só vejo espuma lívida, em cachões,
    E entre ela, aqui e ali, vultos submersos...

    Mas se paro um momento, se consigo
    Fechar os olhos, sinto-os ao meu lado
    De novo, esses que amei: vivem comigo,

    Vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,
    Juntos no antigo amor, no amor sagrado,
    Na comunhão ideal do eterno Bem.

    Antero de Quental

    Thursday, March 09, 2006

    The Tree of Life



    Gustav Klimt
    n. 14 Julho 1862
    m. 11 Janeiro 1918

    1905-1909
    Oil on Canvas
    90 x 65 cm

    Sobre o túmulo do Mestre continua a existir uma árvore florida, que em cada instante pode ser redescoberta. Aí, onde se encontra a árvore florida, a Ordem iniciática prossegue a sua obra.

    Christian Jacq

    A Viagem Iniciática ou Os Trinta e Três Graus de Sabedoria, Lisboa : Pergaminho, 1999 pp. 152-153.

  • Gustav Klimt
  • Friday, February 17, 2006

    Three Words of Strenght

    There are three lessons I would write,
    Three words, as with a burning pen,
    In tracings of eternal light,
    Upon the hearts of men.
    Have hope.
    Though clouds environ round
    And gladness hides her face in scorn,
    Put off the shadow from thy brow;
    No night but hath its morn.
    Have faith.
    Where'er they bark is driven-
    The calm's disport, the tempest's mirth-
    Know this:
    God rules the hosts of heaven,
    The inhabitants of earth.
    Have love.
    Not love alone for one,
    But man, as man, thy brother call;
    And scatter, like a circling sun,
    Thy charities on all.

    Friedrich von Schiller

    (n.1759-m.1805)

    Friday, January 27, 2006

    Mozart



    Bologna Mozart

    Artist Unknown
    Salzburg, 1777

    Wolfgang Amadeus Mozart

    n. 27 Janeiro 1756
    m. 5 Dezembro 1791


  • Source

  • Mozart Project
  • Friday, January 13, 2006

    Pedra de canto

    Ainda terás alento e pedra de canto,
    Mito de Pégaso, patada de sangue da mentira,
    Para cantar em sílabas ásperas o canto,
    De rima em -anto, o pranto,
    O amor, o apego, o sossego, a rima interna
    Das almas calmas, isto e aquilo, o canto
    Do pranto em pedra aparelhada a corpo e escopro,
    O estupro de outrora, a triste vida dela, o canto,
    Buraco onde te metes, duplamente: com falo,
    Falas, fá-la chorar e ganir, com falo o canto
    No buraco de grilo onde anoiteces,
    No buraco de falso eremita onde conheces
    Teu nada, o dela, o buraco dela, o canto
    De pedra, sim, canteiro por cantares e aparelhares
    Com ela em rua e cama o falo fá-la cheia,
    Canteiro porque o falo a julga flores, o canto
    Áspero do canteiro de pedra e sémen que tu és
    (No buraco do falo falaste),
    Tu, falazão de amor, que a amas e conheces.
    Amas a quem? Conheces quem? Pobre Hipocrene,
    Apolo de pataco, Camões binocular, poeta de merda,
    Embora isso em sangue dessa pobre alma em ferida:
    A dela, a tua, cadela a tua pura e fiel no canto
    De lama e amor como não há no charco em torno,
    Maravilhoso canto só de soprares na ponta a um corno
    E logo a sílaba e o inferno te obedecem
    E as dores íntimas dela nas tuas falas se conhecem,
    Sua íntima vergonha inconfessada desponta,
    Passiflora penada, pequenina vulva triste
    Em teu sémen sarada e já livre de afronta:
    O canto em pedra e voz, psicóide e bem vibrado,
    Límpido como vidro a altas horas lavado,
    Como o galo de bronze pela dor acordado,
    No amor e na morte alevantado,
    Da trampa mentirosa resgatado,
    Como Dante o lavrou em pedra de Florença
    E deus to deu de amor poe ela no atoleiro?
    Flor menina de orvalho em amor verdadeiro?

    Ainda terás amor e pedra de canto,
    Fé nela e sua dor de arrependida e enganada,
    Ou, enfim, amor a fogo dado e perdão puro...
    Eu quero lá saber! Amor de Deus no canto
    De misericórdia e paz, mesmo para os violentos
    Da violência violeta, a breve miosótis
    Ao canto unida e em tuas lágrimas orvalhada?
    Cala-te e humilha-te como ela,
    Ou é maior do que tu no canto
    E a esta hora só bebe talvez água salgada,
    Oh poeta de água doce!

    Mas, antes de calar espada e voz, responde:
    Ainda terás alento e pedra de canto
    Para cantar estas coisas,
    Encantar outra vez a donzela roubada ou niña morta,
    Enfim, o teu amor?
    Dize, lá, sem-vergonha,
    Homem singelo:
    Pois se nisto me mentes nunca mais a verás.

    (Quem fala?)

    Vitorino Nemésio

    Tuesday, January 10, 2006

    Magic Garden




    Magic Garden (Zaubergarten)

    March 1926.
    Oil on plaster-filled wire mesh, 52.9 x 44.9 cm
    Peggy Guggenheim Collection.

    The surface Klee creates with the medium of Magic Garden resembles that of a primordial substance worn and textured by its own history. A cosmic eruption seems to have spewed forth forms that are morphologically related but differentiated into various genera. Although excused from the laws of gravity, each of these forms occupies a designated place in a new universe, simultaneously as fixed and mobile as the orbits of planets or the nuclei of organic cells. Klee’s cosmic statements are gleefully irreverent; he writes of his work: “Ethical gravity rules, along with hobgoblin laughter at the learned ones.” (1)

    Lucy Flint

    (1)Apud, W. Grohmann, Paul Klee, New York, 1954, p. 191.

  • Guggenheim Museum
  • Friday, December 23, 2005

    Dancer II



    Joan Miró (1893 - 1983)

    Dancer II, 1925
    Oil on Canvas, 115,5 x 88, 5 cm
    Rosengart Collection, Lucerne

  • International Art Treasures Web Magazine
  • Monday, December 19, 2005

    Amores Feiticeiros

    "O sonho de um homem faz parte da memória de todos."

    Tahar Ben Jelloun (romancista e poeta marroquino)
    "Amores feiticeiros", Ed. Cavalo de Ferro, Lisboa, 2005.

  • Tahar Ben Jelloun
  • Hugo Pratt

    "A esperança, o desejo de uma vida melhor: à parte alguns masoquistas, toda a gente busca isso em todas as latitudes. Ter às suas ordens, como o Salomão da tradição ocultista, o mundo dos anjos e o mundo dos demónios é um desejo compreensível. Viver melhor é o voto de todos, mas os caminhos para tentar lá chegar são múltiplos e variam em função da personalidade de cada um. Os únicos caminhos que me parecem condenáveis são os que fazem mal aos outros; eu sou pela delicadeza - a delicadeza dos fortes, não a delicadeza dos fracos. E quer seja aborígene australiano ou vendedor de ostras dos Países Baixos, qualquer homem sob qualquer constelação pode compreendê-la, mesmo os mais brutos acabam por ser sensíveis a ela. Uma das últimas coisas que me comovem hoje é a delicadeza.

    Hugo Pratt (autor das histórias de Corto Maltese)
    "Pública", 4.12.05

  • Corto Maltese
  • Tuesday, December 13, 2005

    Magnificat

    Quando é que passará esta noite interna, o universo,
    E eu, a minha alma, terei o meu dia?
    Quando é que despertarei de estar acordado?
    Não sei. O sol brilha alto,
    Impossível de fitar.
    As estrelas pestanejam frio,
    Impossíveis de contar.
    O coração pulsa alheio,
    Impossível de escutar.
    Quando é que passará este drama sem teatro,
    Ou este teatro sem drama,
    E recolherei a casa?
    Onde? Como? Quando?
    Gato que me fitas com olhos de vida, quem tens lá no fundo?
    É esse! É esse!
    Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;
    E então será dia.
    Sorri, dormindo, minha alma!
    Sorri, minha alma: será dia!

    Álvaro de Campos

    Friday, December 09, 2005

    Flauta Mágica



    Stage set for Mozart's Magic Flute

    KARL FRIEDRICH SCHINKEL
    n.1781 - m. 1841

    1815

    Gouache, 463 x 616 mm
    Staatliche Museen, Berlin

    www.wga.hu